Eleições» presidenciais de 1958

<font color=0094E0>«Uma vigorosa campanha de massas»</font>

Em 1958, Salazar preparava-se para «eleger» para a Presidência da República Américo Thomaz. Mas o povo trocaria as voltas ao ditador fascista, transformando a sua farsa eleitoral numa grandiosa batalha pela liberdade, em torno das candidaturas de Arlindo Vicente, pela Oposição Democrática, e de Humberto Delgado, pela Oposição Independente.
Apesar das proibições, das violências, das prisões, das cargas policiais e de metralhadora contra os apoiantes das candidaturas da oposição, que provocaram muitos mortos e feridos, centenas de milhares de pessoas participaram em grandiosas manifestações antifascistas. Por todo o País, exigiu-se a liberdade, a libertação dos presos políticos, a demissão de Salazar.
A oito dias das eleições, as duas candidaturas chegam a acordo e unem esforços: é Delgado quem avança. Nos últimos dias, o candidato percorre o País e é recebido por multidões. A repressão desfere golpes e provocações. Sedes de candidatura de Humberto Delgado e de Arlindo Vicente são assaltadas. Vários responsáveis e activistas são presos. Em variadas acções de campanha a polícia dispara. Há mortos e feridos. Mas a oposição não desiste e vai às urnas, apesar de não estarem asseguradas quaisquer garantias democráticas.
No dia 8 de Junho, o povo vota em massa, apesar da repressão. No dia seguinte, o governo anuncia a vitória de Américo Thomaz, mas é obrigado a reconhecer 23,5 por cento de votos na oposição. Iniciam-se de imediato, por todo o País, e com o PCP à frente, importantes acções de protesto contra a burla eleitoral.
A campanha presidencial de 1958 comprovou a fragilidade da ditadura fascista quando confrontada com a luta dos trabalhadores e das massas populares. E abriu novos horizontes à luta do povo português pela liberdade.


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